Pós-Estruturalismo
Pós-estruturalismo refere-se a uma
tendência à radicalização e à superação da perspectiva
estruturalista, observada entre os intelectuais franceses, tanto no
campo propriamente filosófico (Jacques Derrida, Gilles Deleuze,
Jean-François Lyotard), como psicanalítico (Jacques Lacan),
político e sociológico, na perspectiva neomarxista (Louis
Althusser, Michel Foucault) e na análise literária (Roland Barthes,
Maurice Blanchot).
Também podem ser considerados pós-estruturalistas ou próximos às
teses pós-estruturalistas Giorgio Agamben, Jean Baudrillard, Judith
Butler, Félix Guattari, Fredric Jameson, Julia Kristeva, Sarah
Kofman, Philippe Lacoue-Labarthe e Jean-Luc Nancy.
O prefixo pós não é todavia interpretado como sinal de
contraposição ao estruturalismo. De fato, esses pensadores levaram
às últimas conseqüências os conceitos e desenvolvimentos do
estruturalismo, até dissolvê-los no desconstrutivismo,
construtivismo ou no relativismo e no pós-modernismo. O movimento
pós-estruturalista está intimamente ligado ao pós-modernismo -
embora os dois conceitos não sejam sinônimos.
O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na
análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de
sentidos. A realidade é considerada como uma construção social e
subjetiva. A abordagem é mais aberta no que diz respeito à
diversidade de métodos. Em contraste com o estruturalismo, que
afirma a independência e superioridade do significante em relação
ao significado, os pós-estruturalistas vêem o significante e o
significado como inseparáveis.
Não se trata exatamente um movimento, e poucos desses pensadores
aceitam o rótulo de 'pós-estruturalista' - criado por outros para
designar genericamente um conjunto de diferentes reações ao
estruturalismo. Conseqüentemente, nenhum dos ditos
pós-estruturalistas se sentiu na obrigação de elaborar um
"manifesto" do pós-estruturalismo.
Como corrente filosófica, embora não constituindo propriamente uma
"escola", o pós-estruturalismo carateriza-se pela recusa em
atribuir ao cogito cartesiano, ao sujeito ou ao homem, qualquer
privilégio gnoseológico ou axiológico, privilegiando, em vez disso,
uma análise das formas simbólicas, da linguagem, mais como
constituintes da subjetividade do que como constituídas por
esta.São tipicas da abordagem pós-estruturalista a retomada dos
temas nietzscheanos, como a crítica da consciência e do negativo
(por Deleuze) ou o projeto genealógico (por Foucault), a
radicalização e a superação da valorização ontológica da linguagem
heideggeriana e uma perspectiva anti-dogmática e anti-positivista.
De modo geral, os pós-estruturalistas rejeitam definições que
encerrem verdades absolutas sobre o mundo, pois a verdade
dependeria do contexto histórico de cada indivíduo.
O conceito pós-estruturalismo "pode" ser, ou não, interligado ao de
pós-modernismo (verificando que pós-modernismo é referido a
movimentos culturais, não políticos e sociais), aos quais, os
últimos, retrata a ruptura com os grandes esquemas meta-narrativos
que pretendem explicar ou significar o mundo social, mas, em sua
grande pretenção, não explicam nada (retoricamente vazio). Assim, é
possível dizer que o pós-estruturalismo não condiz com o
positivismo, já, que o mesmo, se utiliza de meta-teorias para
embasar esquemas teóricos de pré-conceituação de uma certa visão de
mundo que retrata o social como coisa. Em relação a abordagem
nenietzscheana, exitem dúvidas, pois, a crítica da consciência não
significa elimina-la, ao contrário, mas, transforma-la,
considerando o fator sociohistórico em que a problemática esta
inserida ao discernir um determinado assunto. Ao contrário da
genealogia de Foucault, que incide em descontruir justamente os
grandes esquemas metanarrativos, pondo um "ponto" no signinificante
e libertando a pluralidade de significados. Assim, pode haver
alguma intersecção entre pós-estruturlismo e modernidade, ou não,
se, se considerado o inverso da penúltima afirmação do referido
texto, pois, as duas vertentes consideram exatamente o contrário,
não pretendem "rejeitar definições que encerrem verdades absolutas
sobre o mundo", mas, sim, rejeitam definições que pretendem ser
verdades absolutas sobre o mundo, já, que se trata exatamente da
diferença entre estruturalismo X pós-estruturalismo e modernidade X
pós-modernidade.

